quarta-feira, 19 de julho de 2023

Um Olhar sobre ESTUPRO, VIOLÊNCIA SEXUAL E FEMINICÍDIO NA BÍBLIA por Samuel C Santos

A Bíblia contém uma história forte de um assassinato, através de estupro, de forma lenta e muito dolorosa.  Ela é abusada sexualmente durante a noite toda pelos agressores e no dia seguinte é deixada na porta da sua casa, para o marido. 

ESTUPRO, VIOLÊNCIA SEXUAL E FEMINICÍDIO NA BÍBLIA

Por Samuel Carvalho dos Santos

História de Feminicídio na Bíblia:

A violência contra as mulheres é uma triste realidade persistente no mundo moderno, deixando cicatrizes profundas na sociedade. Entretanto, é fundamental reconhecer que essa problemática não é exclusiva da atualidade; vestígios dessa triste história também são encontrados na Bíblia, revelando narrativas dolorosas de mulheres que enfrentaram violência, opressão e até mesmo tragédias fatais. É necessário enfrentar esse legado histórico com coragem, a fim de promover uma mudança significativa e construir uma sociedade onde todas as mulheres sejam tratadas com dignidade e respeito.

No livro de Gênesis encontramos a história da criação do ser humano. Homem e mulher foram criados a semelhança de Deus, portanto com valores e direitos iguais. Gênesis 1:27: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” O texto aqui está bem claro, ambos os sexos foram criados iguais, sem nenhuma distinção, dignos de todo o respeito. Os princípios e ensinamentos bíblicos não mudaram.

Encontramos no Velho Testamento algumas mulheres com histórias marcantes de poder, liderança, conquista, enfim, mulheres que influenciaram a sociedade na sua época como Débora, uma juíza que foi uma líder em Israel numa batalha e era conhecida por ser sábia e corajosa (Juízes 4-5); Rute, uma viúva moabita que não deixou sua sogra, que era judia, e com isso se tornou uma antecessora do Rei Davi (Rute 1-4) e Ester, uma rainha muito respeitada e admirada pelo seu povo devido seus atos de fé e coragem (Ester 1-10). Enfim, essa são apenas algumas das mulheres bíblicas que influenciaram positivamente seu povo e marcaram gerações inteiras.

Também encontramos na Bíblia histórias de mulheres marcadas por abusos sexuais, opressão e violência como o estupro de Diná, encontrado em Gênesis 34:2 “Viu-a Siquém, filho do heveu Hamor, que era príncipe daquela terra, e, tomando-a, a possuiu e assim a humilhou” e os abusos que Tamar sofreu, encontrado em 2 Samuel 13:14 “Porém ele não quis dar ouvidos ao que ela lhe dizia; antes, sendo mais forte do que ela, forçou-a e se deitou com ela”.

No feminicídio encontra-se o nível mais alto de desigualdade, injustiça e violência com uma mulher. No próximo tópico será relatado o feminicídio bíblico ocorrido no capitulo 19 de Juízes, na Bíblia, que é um forte relato de um assassinato, através do estupro, de forma lenta e muito dolorosa.  Ela é abandonada pelo marido que entrega aos agressores e eles abusam dela durante a noite toda e no dia seguinte ela é deixada na porta da sua casa e o marido corta o corpo dela em vários pedaços.

O Capítulo 19 de Juízes: Uma História de Violência e Impunidade

As histórias bíblicas são contadas de uma forma encantadora e cativante para atrair a atenção dos leitores. Essas histórias não são apenas para trazer uma comunicação sem propósito, mas para ensinar e transmitir ensinamentos profundos sobre a vida, seus desafios e injustiças e como Deus age em cada situação.

Por meio de suas narrativas ricas e personagens envolventes, a Bíblia oferece insights valiosos sobre a natureza humana, a importância da fé e a busca por justiça e redenção. Ao ler essas histórias, somos convidados a refletir sobre nossa própria jornada e encontrar inspiração para enfrentar nossos dilemas pessoais.

Além disso, as narrativas bíblicas não são estáticas; elas permanecem relevantes ao longo do tempo, adaptando-se às diferentes culturas e contextos, e continuam a moldar a maneira como vemos o mundo e nos relacionamos com Deus.

Nos últimos capítulos de Juízes é apresentado um período de decadência moral e social do povo de Deus, conforme descrito abaixo:

Os cinco últimos capítulos de Juízes retratam uma época de anarquia geral e falta de leis. Eles narram dois acontecimentos horríveis que ilustram um dos períodos mais sombrios da história nacional de Israel: Mica e a migração de Dã (17,18) e o estupro da concubina do levita e as subsequentes guerras entre as tribos (19,21). Nesse trecho, lemos sobre idolatria, conspiração, violência sem sentido e degeneração sexual (ARNOLD; BEYER, 2011, p. 184).

Em Juízes 19:1-4 é apresentado este cenário: “Naqueles dias, em que não havia rei em Israel...” e anteriormente, em Juízes 17:6 diz: “Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto”, essa é uma expressão que deixa claro como é viver em algum lugar ou período que não existem leis e regras no qual domina a desorganização e o caos.

Um levita e a violência em Israel. A situação de Israel havia se deteriorado a tal ponto que alguns do povo de Deus se comportavam de maneira semelhante aos antigos habitantes das cidades condenadas de Sodoma e Gomorra. O resultado foi uma guerra civil entre as tribos. A história sórdida que encerra o livro de Juízes deixa claro que a desobediência de Israel à aliança com o Senhor era decorrente da falta de um rei fiel à aliança. A ênfase sobre o ato do levita de cortar sua concubina em doze partes a fim de convocar Israel (um paralelo claro com o ato de Saul em 1 Sm 11:6-8) teve uma repercussão negativa tanto para Benjamim quanto para Saul (GENEBRA, 1999).

O texto de Juízes 19:1-4 relata a história de uma concubina[1] que fica chateada com o seu marido, um levita, e decide voltar para a casa de seu pai, onde permanece por quatro meses. O motivo exato da raiva da esposa não é esclarecido no texto, apesar dela ser uma concubina e o levita ter uma posição elevada na sociedade, exercendo certa autoridade sobre ela. A demora de quatro meses por parte do levita para procurá-la também não é explicada, o que torna difícil compreender suas ações e motivações nessa narrativa.

Agora, em Juízes 19:5-15, o levita encontra-se em viagem com a sua concubina e um dos seus servos. A concubina sempre fica de lado na história, ou seja, a ênfase no texto agora é o servo do levita, que por sua vez é chamado no texto de “seu senhor”. O servo comenta sobre passar a noite numa cidade de estrangeiros, mas o seu senhor não aceita, pois é uma cultura que não pertence ao povo de Israel. Como levita ele tem conhecimento da Lei do Senhor, contida no texto: “Como o natural, será entre vós o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-eis como a vós mesmos, pois estrangeiros fostes na terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso Deus” Levítico 19:34. Portanto, ele deveria amar aquele povo, mas ele despreza a Lei do Senhor e toma sua própria decisão.  Aqui já se percebe que o levita entra em contradição com o que é certo, conforme a Lei do Senhor, demonstrando o seu afastamento de tais princípios.

Em Juízes 19:16-21 percebe-se que até o momento a mulher não era citada e mesmo ela sendo o centro da história, não é dada nenhuma ênfase nesse ponto. A mulher aqui realmente não é importante e lá em Juízes 19:2 diz “aborrecendo-se dele, o deixou...” e conforme citado na Bíblia de Estudo Genebra ou “ela foi infiel a ele”. A lei exigia que os adúlteros fossem apedrejados: “Se um homem for achado deitado com uma mulher que tem marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, eliminarás o mal de Israel” Deuteronômio 22:22. No entanto, “cada qual fazia o que achava mais reto” Juízes 17:6; 21:25).  Outro ponto de destaque está na sua fala: “...ninguém há que me recolha em casa”, mostrando que os outros dois, a concubina e seu servo, são insignificantes e mais uma vez o levita levanta indícios da sua atitude negativa como um homem de Deus.

Na parte final, em Juízes 19:22-30, Phyllis Trible, uma estudiosa sobre assuntos feministas diz que a concubina, que abandonou seu marido e foi para casa de seu pai, foi alvo de uma violência ao extremo. Esse abandono é levado a uma vingança do seu marido. Ela interpreta que ao abandonar seu marido ela desafia sua autoridade como o seu senhor. Ela era submissa e ao abandonar seu marido se torna alguém que busca justiça e acaba desafiando seu marido (BACHMANN, 2017).

O texto bíblico não esclarece se a concubina estava viva ou morta, mas mesmo assim seu corpo foi cortado em doze pedaços. O levita, em sua atitude, pareceu transferir a culpa para a sociedade, destacando a propensão humana para justificar seus erros e atos malignos.

Reflexões e Desafios

        Como foi possível escrever uma história tão cruel nas Escrituras do Antigo Testamento? Não é comum encontrarmos histórias assim na Bíblia, porém tais histórias enfatizam lições teológicas para a vida real mostrando como a humanidade necessita de redenção. É uma história forte e difícil de aceitar, mas é a realidade de um mundo caído no qual vivemos.

Quando estudamos os textos bíblicos precisamos refletir sobre os desafios da sociedade atual e buscar respostas para promover a igualdade entre as pessoas, o respeito e a segurança para as mulheres. Importante entendermos que como em qualquer texto bíblico as interpretações variam e por isso é necessário uma abordagem mais profunda e crítica para lidar com cada situação.

Mesmo que a Bíblia descreva fatos horríveis de feminicídio é preciso entender que a mensagem bíblica do cristianismo é amor, compaixão e justiça. Jesus Cristo deixou o exemplo com relação ao tratamento para as mulheres quando esteve no seu ministério terreno valorizando cada uma delas, restaurando vidas e trazendo a dignidade, até mesmo desafiando as culturas e normas daquela época. O Evangelho promove paz, transformação, vida e respeito para todas as pessoas.

Referências:

ARNOLD, Bill T.; BEYER, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. São Paulo. Cultura Cristã, 2001.

BACHMANN, Mercedes L. García. Mulheres no Livro dos Juízes. Revista de Interpretação Bíblica Latino-Americana (RIBLA), v. 2, p. 105-121, 2017.

GENEBRA, Bíblia de Estudo. São Paulo e Barueri. Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.

SILVA, Carla da. A desigualdade imposta pelos papéis de homem e mulher: uma possibilidade de construção da igualdade de gênero. Revista Direito em Foco, v. 5, p. 1-9, 2012.



[1] As concubinas eram companheiras reconhecidas, mas possuíam menos direitos legais do que as esposas (GENEBRA, Bíblia de Estudo. São Paulo e Barueri. Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.)


quinta-feira, 20 de abril de 2023

Sermão: O PODER DAS NOSSAS PALAVRAS - Pb Samuel Carvalho dos Santos

EXEGESE E SERMÃO

Tiago 3:1-12

A presente exegese se propõe a estudar, analisar e trabalhar em cima do texto de Tiago 3:1-12, usando dos passos exigidos pelo professor Geimar de Lima, da disciplina BI – Hebreus e Epistolas Gerais. O propósito aqui se encontra em uma análise mais aprofundada do texto, trabalhando conceitos, estruturas, língua original, contexto etc.

A proposta é extrair da perícope aquilo que nem sempre é possível fazer em apenas uma leitura ou em uma leitura superficial.

De forma mais exemplificada, a exegese trabalhará os seguintes pontos, divididos nestas 10 ordens: utilização de outras versões bíblicas; análise da estrutura de cada versículo e se existe alguma divisão; detalhes sobre a tradução de cada uma versão bíblica utilizada; significado do tempo da escrita; histórico do texto para aquela época; lista de perguntas e dúvidas; responder as dúvidas e perguntas surgidas anteriormente; observar quais doutrinas teológicas a passagem se relaciona; aplicação do texto para as nossas vidas; esboço tópico do sermão com o tema, ideia, homilética, objetivo e aplicações.

ANÁLISE INICIAL DE ALGUNS COMENTÁRIOS BÍBLICOS

Segundo Henry (2017) a língua desenfreada é um dos maiores males da humanidade. Em cada época da história da humanidade, tanto na vida privada com na pública, temos evidencias sobre isso. Tiago nos apresenta que domar a língua não é algo impossível, mas extremamente difícil, pois ninguém pode domar a língua sem o auxílio de Deus. 

Para Carson (2009) a carta de Tiago não foi bem aceita pela igreja naquela época. Martin Luther comenta que não era embasada com a carta de Paulo e Lutero diz que Tiago não menciona nada sobre a salvação pela graça. Portanto ela é uma carta útil para a igreja de hoje.

Um dos pontos que Carson (2009) destaca é que nenhuma outra carta apresenta uma ênfase cheia dos ensinamentos de Jesus como a carta de Tiago. Todas as ideias geralmente foram tiradas dos ensinamentos de Jesus e a maioria referente ao Sermão da Montanha (Mateus 5-7). 

Conforme descrito na Bíblia de Estudo Genebra (2009) apresenta como quase certo que o autor dessa carta foi Tiago, irmão de Jesus. O autor possuía uma posição de autoridade sobre a igreja, ele era um líder da igreja em Jerusalém. 

Ele foi considerado um dos pilares da igreja, juntamente com Pedro e João (Gal. 2:09). O Novo Testamento apresenta Tiago como um dos filhos de Maria, mãe de Jesus (Mateus 13:55.; Marcos 6:3). Tiago, junto com seus irmãos, estava cético de Jesus durante Seu ministério terreno (João 7:5), mas foi convertido quando ele se tornou uma testemunha da ressurreição ( 1Coríntios. 15:07). O historiador da igreja primitiva Hegesippus o identificou como "Tiago, o Justo", atestando a sua piedade extraordinária, seu zelo pela obediência à lei de Deus e sua devoção singular à oração. Dizia-se que os joelhos de Tiago ficaram tão calejada de oração que eles se assemelhavam aos joelhos dos camelos (BÍBLIA, DE ESTUDO DE GENEBRA, p.1669, 2009).

Quem era Tiago? Segundo o Comentário Bíblico Moody, dos diversos indivíduos que tinham esse nome no Novo Testamento apenas dois foram possíveis autores do livro, Tiago, filho de Zebedeu e Tiago, o irmão de Jesus. O primeiro é improvável, pois foi morto em 44 A.D devido sua fé e não era um líder na igreja como foi Tiago, irmão de Jesus, que era uma característica para escrever uma carta (HARRISON, PFEIFFFER, 1983).

Com o passar do tempo a igreja entendeu a importância do livro de Tiago e começou a valorizar sua carta, pois, na verdade, o livro explica de uma forma clara os aspectos práticos da conduta cristã e modo como a fé é revelada na vida de cada cristão. O texto é escrito em grego de uma maneira informal, porém bem fluido e construído trazendo a memória do leitor princípios e muitos conselhos bíblicos de Provérbios. Realmente Tiago vai direto ao ponto, ou seja, escreve de uma maneira prática e objetiva tratando princípios do cotidiano apresentando pérolas de sabedoria em suas palavras (KING JAMES ATUALIZADA, 2012).

O livro possui traços marcantes do judaísmo e contém várias referências ao Antigo Testamento. O paralelismo como é encontrado na poesia bíblica do livro de Provérbios 1-9. O livro apresenta ensinamentos e provoca reflexões relativos ao cotidiano como em Provérbios 6:6 – “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio”. Além da influência do livro de Provérbios, conforme citado, o livro também é influenciado pelo Sermão do Monte (Mateus 5-7). “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?

E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam” (Mateus 6:26-28). 

O livro de Tiago tem sido considerado variavelmente uma epístola, um sermão (para ser lido em voz alta nas igrejas), uma forma de literatura da sabedoria, uma diatribe (expressando ideias de uma pessoa como uma conversa interior) e uma parênese (um texto que junta admoestações e exortações de natureza ética). Essas categorias não são mutuamente excludentes, e há elementos de cada uma delas em Tiago (BÍBLIA, DE ESTUDO DE GENEBRA, p.1669, 2009).

Tiago é um livro cheio de metáforas para facilitar o nosso entendimento. É uma carta prática sobre como devemos ter cuidado com a nossa língua, com as nossas palavras. 

SIGNIFICADO PARA O TEMPO DA ESCRITA E HISTÓRICO DA PERÍCOPE

Tiago é o nome em português, pois no grego o nome é “Iakobos” que traduz o seu nome hebraico “Ya’akov” e por isso a maioria das traduções antigas e modernas traduzem seu nome por Jacó. 

No Novo Testamento há muitos Jacós, dois deles fazem parte dos doze discípulos de Jesus: Tiago, filho de Zebedeu e Tiago, filho de Alfeu (Marcos 3:16-19).

Aprendemos a história de Jacó (Tiago) no livro de Atos e nas cartas de Paulo. Como ele cresceu literalmente com Jesus sua linguagem para ensinar tem a influência de Jesus. O texto de Tiago 3:1-12, que fala sobre a língua, tem uma ligação com as palavras de Jesus no texto a seguir de Lucas 6: 43-45 “Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas. O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração”.

Depois que Pedro partiu de Jerusalém para começar novas igrejas, Jacó (Tiago) ganhou destaque como líder da igreja matriz em Jerusalém, composta principalmente de cristãos de origem judaica. Essa foi a primeira comunidade cristã de todos os tempos e ela passou dificuldades durante 20 anos em que Jacó (Tiago) foi o seu líder. Houve fome que levou uma grande pobreza para a região e os cristãos de origem judaica foram perseguidos por judeus em Jerusalém, mas apesar de tudo Jacó (Tiago) era conhecido como um pilar da igreja em Jerusalém. Ele foi conhecido como um pacificador que liderou com sabedoria e coragem até que foi tragicamente assassinado. 

Nesse livro de Tiago temos o legado de ensino e da sabedoria condensados em um trabalho curto e muito poderoso.

O livro começa com uma carta que ele cumprimenta todos os cristãos de origem judaica que estavam vivendo fora da terra de Israel. Diferente das cartas de Paulo, aqui Jacó (Tiago) aborda problemas específicos em uma igreja local.

Tiago escreveu para os cristãos que haviam sofrido perseguições. Ele os encorajou a buscarem sabedoria, fortalecerem a fé e mostrarem essa fé por meio da obediência a Deus, especialmente no relacionamento com outras pessoas.

Cada tipo de ensino no livro é separado e concluído com uma frase cativante, mas todos esses ensinos estão conectados através de palavras e temas repetidos. O capítulo introdutório é uma corrente fluida de ensino sábios e frases para resumir as ideias principais de todo o livro esse capítulo realmente apresenta todas as palavras-chave temas que você encontrará nos capítulos 2 a 5.

A dificuldade da vida são, na verdade, presentes paradoxais que podem produzir perseverança e moldar o nosso caráter. 

Deus pode fazer um trabalho incrível dentro de nós em meio ao sofrimento e nos ajudar a tornarmos perfeitos e completos. A palavra perfeito é realmente importante para Tiago (Jacó), pois ele a repete 7 vezes no livro lembrar que no grego essa palavra refere-se a integridade e significa viver uma vida completamente íntegra. 

PERGUNTAS E DÚVIDAS: EXPLICANDO CADA VERSÍCULO

“Meus irmãos, não vos torneis, muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo” Tiago 3:1

Grande parte da divisão de muitas igrejas acontece devido esse problema de lideres acharem que possuem razão ou estão corretos e acabam influenciando os membros a deixarem de seguir tal caminho. Liderança requer responsabilidade.

Tiago dá um aviso sóbrio relativa à responsabilidade dos mestres. Os mestres exercem influência sobre os estudantes de confiança, uma relação que faz com que os alunos sejam vulneráveis a erro grave. Este julgamento rigoroso deve conter os mestres das palavras descuidadas. A língua do mestre pode ser um perigo devastador. A igreja primitiva deu alta estima para o cargo de mestre (Mt 5:19; 18:6; Rom 14:10-12).

“Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo” Tiago 3:2

Tiago ainda estava falando principalmente dos mestres, indicando que ensinar algum erro é inevitável. 

Catecismo Maior de Westminsters – Pergunta 149

Será alguém capaz de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus?

Nenhum homem, por si mesmo ou por qualquer graça que receba nesta vida, é capaz de guardar perfeitamente os mandamentos de Deus, mas diariamente os viola por pensamentos, palavras e obras.

“Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro” Tiago 3:3

“Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro” Tiago 3:4

“Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva!” Tiago 3:5

Tiago usa metáforas da experiência comum para ilustrar o seu ponto cardeal que grandes resultados podem ser alcançados por meios pequenos. A língua é uma pequena parte do corpo que é capaz de criar grandes desastres.

Somos advertidos a cuidar bem do nosso pensar e falar (língua), pois Satanás busca, diuturnamente, influenciar (incendiar) nossas mentes para o mal e tudo quanto é próprio do inferno (Jo 8:44; Mt 5:22; Lc 16:23).

“Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno” Tiago 3:6

Uma língua descontrolada é comparado a um incêndio que devasta sem controle ( Sl 120:3, 4 ;  Pv 16:27 ). Essa imagem realça o inacreditável prejuízo que pode ser feito com palavras – não somente àqueles dos quais as palavras são direcionadas, mas também aos outros em sua esteira e àqueles que as pronunciaram. “É posta ela mesma em chamas pelo inferno” – talvez uma afirmação exagerada que indique a gravidade dos resultados das palavras perversas, ou uma indicação de que os próprios demônios tentam os cristãos a usar palavras destrutivas.

“Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano” Tiago 3:7

Tiago não tinha em vista a domesticação, mas a sujeição que a humanidade exerce sobre o reino animal (Gn 1:28).

“a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero” Tiago 3:8

A língua é mais difícil de domar do que animais selvagens. Ela está cheia de veneno mais venenoso do que uma víbora ( Sl 58:4; 140:3 ;  Rom 3:13 , 14 ).

“Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” Tiago 3:9

A língua é capaz de ser utilizado tanto para a virtude e o vício. A mesma boca usa a língua para estes fins contraditórios feito à semelhança de Deus. Consulte "A Imagem de Deus" em Gênesis 01:27.

“De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim” Tiago 3:10

A língua também é inconsistente. Ela é usada para realizar seus mais altos propósitos, isto é, para bendizer a Deus, mas também é usada para maldizer os homens. Tal inconsistência, especialmente no caso dos cristãos (meus irmãos), não é conveniente que estas coisas sejam assim.

“Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso?” Tiago 3:11

“Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce” Tiago 3:12

Nota a semelhança aqui entre metáforas de Tiago e os utilizados por Jesus em Mateus 07:16.

Tiago dá dois exemplos para apresentar a conclusão deste ponto. O primeiro é tirado da terra de Israel, onde no vale do Jordão, visto à distância, tem um córrego que desce no vale. Às vezes, a água era doce e boa. Às vezes, ele estava cheio de minerais (sal). Mas uma coisa era certa: os dois tipos de água não fluíram a partir da mesma fonte. 

SERMÃO

O texto de Tiago 3:1-12, que fala sobre a língua, tem uma ligação com as palavras de Jesus no texto a seguir de Lucas 6: 43-45 “Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. Porque não se colhem figos de espinheiros, nem dos abrolhos se vindimam uvas. O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração”.

Somos ensinados a temer uma língua desenfreada, como um dos maiores males. Os assuntos da humanidade são lançados à confusão pela língua dos homens. Cada época do mundo e cada condição de vida privada ou pública dá exemplos disto. O inferno tem a ver com o aumento do fogo da língua, mais do que os homens geralmente pensam; cada vez que as línguas dos homens são empregadas de maneira pecaminosa, estão acesas com fogo do inferno. Ninguém pode domar a língua sem a assistência e a graça de Deus. O apóstolo não apresenta isto como algo

impossível, mas como extremamente difícil.

Tiago escreveu para os cristãos de origem judaica que haviam sofrido perseguições. Ele os encorajou a buscarem sabedoria, fortalecerem a fé e mostrarem essa fé por meio da obediência a Deus, especialmente no relacionamento com outras pessoas.

O livro de Tiago é um resumo de sabedoria e para escrever esta carta Tiago teve duas influências: Sermão do Monte (Mateus 5-7), no qual destaco o texto: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai Celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam” Mateus 6:26-28. No Sermão do Monte Jesus cria quadros mentais através da sua forma de ensinar. Jesus coloco os olhos nos ouvidos das pessoas. E o livro de Provérbios 1-9. O livro de Provérbios apresenta ensinamentos e provoca reflexões relativos ao cotidiano, conforme descrito: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos e sê sábio” Provérbios 6:6.

O livro de Tiago é cheio de metáforas para facilitar o nosso entendimento. Por isso essa carta que Tiago escreveu é chamado do Livro de Provérbios do Novo Testamento.

É uma carta prática, sobre como devemos ter o cuidado com a língua, com as nossas palavras.

O texto base da leitura nos capacita a enxergar o impacto de nossas palavras sobre o nosso ser como um todo.

TEMA: O PODER DAS NOSSAS PALAVRAS

ILUSTRAÇÃO

Certo dia, Thomas Edson chegou em casa com um bilhete para sua mãe.

Ele disse, “meu professor me deu esta carta para entregar APENAS a você.”

Sua mãe chorou ao ler a carta e resolveu ler em voz alta para o seu filho: “Seu filho é um GÊNIO. Esta escola é muito pequena para ele e não temos professores ao seu nível para treiná- lo. Por favor, ensine-o você mesmo!”

Depois de muitos anos, Thomas Edson veio a se tornar um dos maiores inventores do século.

Após o falecimento de sua mãe, resolveu arrumar a casa quando viu um papel dobrado no canto de uma gaveta. Ele pegou e abriu.

Para sua surpresa era a antiga carta que seu professor havia mandado ele entregar a sua mãe, porém o conteúdo era outro que sua mãe leu anos atrás.

A carta dizia o seguinte:

“Seu filho é confuso e tem problemas mentais. Não vamos deixá-lo vir mais à escola!”

Edison chorou durante horas e então escreveu em seu diário: “Thomas Edson, o inventor da lâmpada elétrica, do microfone, do projetor de cinema e outras patentes era um débil mental quando criança e a sua mãe o transformou no gênio do século através de suas palavras”.

Muitas vezes ouvimos os pais falando para os seus filhos:

“Menino(a) você é burro! Você nunca será nada na vida! Eu não aguento mais este menino...”

Cuidado com as palavras, com elas você pode abençoar ou amaldiçoar. 

APLICAÇÃO

Quantas vezes dizemos algo para logo depois nos arrependermos?

Tiago compara o controle adequado da língua com o ato de controlar um cavalo com um “freio”; usa também a metáfora do leme de um navio, para mostrar que a direção é determinada por um pequeno leme que se quer é visto, mas ainda assim, exerce grande influência.  

Assim são as nossas palavras, elas nos direcionam sem vermos.

O que nós falamos tem uma influência sobre as nossas vidas e sobre a vida das pessoas ao nosso redor.

Se você é uma pessoa que sempre reclama, sempre usa palavras negativas, com certeza as pessoas da rede de seu relacionamento, as pessoas mais próximas de você estarão reclamando e falando igual a você. Nós somos o resultado das cinco pessoas que mais convivemos e se você analisar perceberá que você é as características dessas pessoas que você mais convive.

Tem uma história bíblica muito marcante e que é relatada nos quatro evangelhos sobre a negação de Pedro. “Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. Sendo este discípulo conhecido do sumo sacerdote, entrou para o pátio deste com Jesus. Pedro, porém, ficou de fora, junto à porta. Saindo, pois, o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, falou com a encarregada da porta e levou a Pedro para dentro. Então, a criada, encarregada da porta, perguntou a Pedro: Não és tu também um dos discípulos deste homem? Não sou, respondeu ele. Ora, os servos e os guardas estavam ali, tendo acendido um braseiro, por causa do frio, e aquentavam-se. Pedro estava no meio deles, aquentando-se também” João 18:15-18. O resultado eu e você conhecemos muito bem. Cuidado, pois somos facilmente influenciados pelo ambiente. 

LIÇÃO

Quero trazer três pontos que a mensagem no ensina:

1º - a língua tem o poder de dirigir a nossa vida

“Ora, se pomos freio na boca dos cavalos, para nos obedecerem, também lhes dirigimos o corpo inteiro. Observai, igualmente, os navios que, sendo tão grandes e batidos de rijos ventos, por um pequeníssimo leme são dirigidos para onde queira o impulso do timoneiro” Tiago 3:3,4.

Tem uma lenda de determinado filósofo, que mesmo não sendo cristão já tinha essa sabedoria, que se chama as três peneiras:

“Conta-se que certa vez um amigo procurou um sábio filósofo para contar-lhe uma informação que julgava de seu interesse: Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu! Espera um momento – disse o filósofo – antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras. Três peneiras? Que queres dizer? Vamos peneirar aquilo que queres me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção: a primeira é a Peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade? Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade. A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não? Envergonhado, o homem respondeu: - Devo confessar que não. A terceira peneira é a da NECESSIDADE. Pensaste bem se é necessário contar-me esse fato, ou mesmo passá-lo adiante? Vai resolver alguma coisa? Ajudar alguém? Melhorar alguma coisa? Na verdade, não. Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem necessário, então é melhor que o guardes apenas para ti. Assim, da próxima vez em que surgir um boato por aí, submeta-o a passar pelas Três Peneiras: Verdade, Bondade, Necessidade, antes de obedecer ao impulso de passá-lo adiante.

2º - a língua tem o poder da destruir – “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” Provérbios 18:21.

No verso 5-8 de Tiago 3 nos diz o seguinte: “Assim, também a língua, pequeno órgão, se gaba de grandes coisas. Vede como uma fagulha põe em brasas tão grande selva! Ora, a língua é fogo; é mundo de iniquidade; a língua está situada entre os membros de nosso corpo, e contamina o corpo inteiro, e não só põe em chamas toda a carreira da existência humana, como também é posta ela mesma em chamas pelo inferno. Pois toda espécie de feras, de aves, de répteis e de seres marinhos se doma e tem sido domada pelo gênero humano; a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero”.

Quantas vezes as nossas palavras não trouxeram edificação. Falamos quando devíamos ficar quietos e ficamos quietos quando deveríamos falar. Esse princípio nos ensina que as palavras transmitem significado, o caráter e a personalidade de quem fala. Quando você estiver num momento de raiva ou numa discussão, muito cuidado, peça a Deus paciência, espere em silêncio, conte até 10, 50, 100, enfim, cuidado, pois depois que falar, a palavra não volta mais.

A palavra tem o poder de sarar, de acalmar, de tranquilizar e Tiago, em sua exposição sobre a língua, nos indica esse poder de “curar” que as nossas palavras podem ter. Nossas palavras têm certo poder sobre nosso corpo e também sobre a vida de outras pessoas, conforme descrito: “Palavras agradáveis são como favo de mel: doces para a alma e medicina para o corpo” Provérbios 16:24. O bom uso das palavras tem o poder de trazer bênçãos preciosas em nossa vida e na vida de outras pessoas. Podem curar corações deprimidos, indicar caminhos para perdidos, animar almas cansadas e sobrecarregadas. Por isso, usar palavras para “curar” pessoas é um “poder” que podemos extrair das palavras.

3º a língua tem o poder de deleitar (satisfação, alegria, regozijo).

“Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus. De uma só boca procede bênção e maldição. Meus irmãos, não é conveniente que estas coisas sejam assim. Acaso, pode a fonte jorrar do mesmo lugar o que é doce e o que é amargoso? Acaso, meus irmãos, pode a figueira produzir azeitonas ou a videira, figos? Tampouco fonte de água salgada pode dar água doce” Tiago 3:9-12.

Como as palavras nos acalmam, sempre ouço dos meus alunos que as minhas palavras transmitem confiança, esperança, paz, motivação e como é bom ouvir isso como um servo de Deus. As nossas palavras tem este poder de transformar ambientes e como cristão e professor utilizo muito este privilégio em salas universitárias no qual alunos estão cada vez mais longe de Deus.

CONCLUSÃO

Em Efésios 4:9 diz o seguinte: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”.

Que nossas palavras transmitam graça, alegria e bênçãos.

Com o poder das palavras Deus criou o mundo: “Disse Deus: "Haja luz", e houve luz”

Gênesis 1:3.

Que Deus abençoe a todos.


REFERÊNCIAS

CARSON, Donald A. et al. Comentário bíblico vida nova. São Paulo: Vida Nova, v. 2176, 2009.

HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry. Editorial Clie, 2017.

BÍBLIA, DE ESTUDO DE GENEBRA. Tradução de João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada. São Paulo/Barueri: Cultura Cristã/Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

HARRISON, Everety F.; PFEIFFFER, Charles F. Comentário Bíblico Moody, vol. 4 e 5. 1983.

KING JAMES ATUALIZADA (KJA), Bíblia de Estudo; Tradução dos manuscritos nas línguas originais do Tanakh (Bíblia Hebraica) de acordo com o estilo clássico, majestoso e reverente da Bíblia King James de 1611. Tradução Sociedade Bíblica Ibero-Americana & Abba Press no Brasil. São Paulo, 2012.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

SERMÃO - Como vencer as minhas crises e ansiedades e ter uma boa noite de sono?

Texto: Confiança em Deus, na angústia (sermão profético)

Leitura: Salmo 4:1-8


ABERTURA: 

Você tem dormido bem?

Como você tem lidado com a sua ansiedade?

Este Salmo nos ajuda a entendermos como nós devemos tratar a nossa ansiedade.

“Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Salmos 4:1).

Esse é um pronunciamento profético: “Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça...” (v.1). 

A crise que passamos, os momentos difíceis que passamos, está na agenda de Deus, é plano de Deus para trabalhar em nós e nos mostrar que devemos depender dEle e confiar nEle sempre. 

A crise é um tempo de desafios, mas também de oportunidade e de recomeço.

Tudo que aconteceu nos dois últimos anos acabou aumentando o nosso grau de ansiedade, de preocupação e assim dificultou o nosso momento de relaxamento.

Segundo dados da OMS (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE) no primeiro ano da pandemia de COVID-19, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25%, de acordo com um resumo científico divulgado em março de 2022. Uma das principais explicações para esse aumento é o estresse sem precedentes causado pelo isolamento social decorrente da pandemia. 

Três palavras, nesse texto que acabei de ler, merecem destaque: ANSIEDADE, DEPRESSÃO E ESTRESSE. 

Ansiedade = excesso de futuro

Depressão = excesso de passado

Estresse = excesso de presente.

Quando você confia em Deus, mesmo em momentos de aflição, você encontrará contentamento, refrigério e paz.

TEMA: ONDE VOCÊ COLOCA A SUA CONFIANÇA?

Como conseguir vencer as minhas crises e as minhas ansiedades? Com ter uma boa noite de sono?

Antes de entendermos esse Salmo 4 o que é um Salmo?

A palavra “salmo” vem do grego psalmos que quer dizer um cântico ou um hino. A palavra hebraica para o livro é têhillim e significa “louvores”. O livro contém uma coleção de cento e cinquenta cânticos da vida religiosa e da adoração hebraicas — cânticos do coração do povo e que refletem suas experiências pessoais. Pode-se dizer que os salmos representam o antigo hinário do povo de Deus. Muitos dos salmos de Davi descrevem períodos específicos de sua vida. Ele escreveu o Salmo 3 quando fugia de seu filho, Absalão. Outros salmos estão mais ligados às experiências do indivíduo. 

A poesia é uma forma de comunicação escrita que dá atenção especial ao modo como a mensagem é transmitida ao leitor. Os poetas gostam de usar a linguagem de um modo que amplie não somente a mente, mas também a imaginação e as emoções. 

Paralelismo – esse recurso literário é de longe o mais predominante em toda a poesia hebraica. É usado para ligar palavras ou frases umas às outras a fim de dar nuança ao significado. A estrutura ritma formal da poesia hebraica pode ser vista de maneira mais clara no paralelismo, ou seja, a coordenação bastante próxima ou associação de um verso poético com outro. Os versos paralelos são constituídos de pelo menos dos versetos que formam um verso. O segundo verseto expande, enfatiza ou contrasta com uma ou mais dimensões do primeiro verseto. 

A linguagem da Bíblia é sempre uma linguagem poética e a poesia fala por todos os meios e recursos. O básico, o principal da poesia hebraica, é o chamado paralelismo. 

O Salmo 4 é uma poesia hebraica e o paralelismo é uma forma de poesia que usa palavras diferentes mais de uma vez para dizer a mesma coisa, ou seja, é o jeito de falar que coloca as expressões ao lado umas das outras, como se fossem linhas paralelas. Dentro do paralelismo tem uma estrutura semítica que faz que a última frase do texto seja paralela à primeira, mostrando assim que aquele trecho é um bloco unitário: tem começo e fim, terminando como começou. 

O centro do Salmo 4 está nos versículos 4 e 5. “Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai. Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no Senhor”.

Estremecei de ira, como, literalmente, em hebraico, ou “irai-vos”, como em algumas versões. Os sentimentos de insatisfação e cólera jamais devem dar ocasião a qualquer tipo de violência ou agressividade. O conselho aqui é, literalmente: “durma, meditando no caso, antes de agir”. No verso 5 sacrifícios de justiça são aqueles oferecidos de acordo com a lei (Ml 1:6-14). Em Cristo, toda a necessidade de sangue como holocausto cessou; e a fé genuína no Filho de Deus e o amor cristão passaram a ser os sacrifícios exigidos pelo Senhor para a plena redenção (Sl 51:17; Pv 15:8; Os 6:6; Rm 12:1; Ef 5:2; Hb 10:5; 1 Pe 2:5). 

No verso 8: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor , só tu me fazes repousar seguro” a parte “só tu me fazer repousar seguro” significa lebadad, sozinho,  somente Deus pode nos proporcionar toda a segurança que precisamos para descansar confiantes e em paz (Pv 1:33). 

Se este Salmo 4 foi escrito no período da revolta de Absalão, então pode ser que Davi tivesse em mente os homens que seguiram seu filho rebelde e traíram o rei instituído pelo Senhor em Israel. É uma oração vespertina de alívio. As circunstâncias que rodeiam este salmo são semelhantes às do Salmo 3. Contudo, aqui o lamento se transforma em uma canção de confiança para expressar o alívio do salmista. A serenidade do tom através de todo ele é o resultado de uma experiência da ajuda divina no passado. Exatamente como Deus deu o descanso na experiência anterior (Sl. 3), há certeza de que ele proverá esse mesmo descanso e paz novamente. 

Davi relata neste Salmo 4 uma situação de muita angústia.

APLICAÇÃO:

Como é difícil lidar com situações que estão fora do nosso controle. Na verdade, não há nada na nossa vida que está no nosso controle. Em Pv 16:1 diz que “o coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do senhor”.

Eu me lembro que no início da pandemia do COVID 19 os noticiários constantemente apresentavam os principais sintomas: dor no peito, falta de ar, palpitações, febre... e confesso que eu já estava tão ansioso com tudo isso que já estava sentindo os mesmos sintomas e tinha até medo de dormir.

Se eu e você queremos vencer a ansiedade, a falta de controle sobre a nossa vida nós precisamos colocar a CONFIANÇA naquele que tem todo o controle: DEUS.

CONCLUSÃO:

Davi estava vivendo uma situação limite, de angustia, de crise e mesmo neste momento ele diz no verso 8: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro”. 

Quando eu confio em Deus, mesmo na aflição, eu encontro contentamento.

Você tem dormido bem? Como está a sua vida? Como você tem lidado com a sua ansiedade? DESCANSE EM DEUS, pois quando a sua CONFIANÇA está em Deus é possível dormir em tranquilidade. Como? O Salmo nos apresenta a solução:

1º CLAME AO SENHOR: “...o Senhor me ouve quando eu clamo por ele”.

2º CONFIE NO SENHOR: “...confiai no Senhor”.

3º ALEGRE-SE NO SENHOR: “Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho”.

4º DESCANSE NO SENHOR: “Em paz me deito e logo pego no sono, porque, Senhor, só tu me fazes repousar seguro”.

Obrigado Senhor Deus, pois somente em Ti encontramos a verdadeira paz, somente em Ti encontramos DESCANSO.

Pb. Samuel Carvalho dos Santos 


domingo, 26 de fevereiro de 2023

Pastores e suas pregações cansativas, por quê?

 

Muito provavelmente um ouvinte assíduo de pregações não se lembrará de todas as mensagens que ouviu durante sua vida. É impossível fazê-lo. Mas, com certeza, a maioria das mensagens que vêm à lembrança tinha alguma boa ilustração. Jesus usava o poder das palavras para ensinar e trazer mensagens poderosas para a vida das pessoas. Contando parábolas, Jesus desenhava quadros mentais que retratavam o mundo ao seu redor.

Jesus ensinava de uma forma fácil e tinha várias formas e técnicas para conseguir atingir o seu ouvinte. A sua forma de comunicar era muito bem entendida através de uma simples conversa ou diálogo e também através de parábolas, um estilo pedagógico próprio de Jesus, sua aplicação era clara para quem ouvia. 

A pregação de Jesus, numa época que não existia os recursos modernos de multimídia, alcançava os seus ouvintes de uma forma atraente, impactante e definitiva.

Outro ponto importante é que o pregador pode ser um especialista ou até mesmo um doutor em determinada área da Bíblia, mas se não dominar a área pedagógica de ensinar como Jesus, será em vão sua mensagem, sua pregação.

Que assim como era com Jesus, que os ouvintes de hoje também fiquem maravilhados com a pregação da mensagem do Evangelho.

Pb. Samuel Carvalho dos Santos

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Sobre FALAR EM LÍNGUAS em Atos 2 - Pb Samuel Carvalho dos Santos

 

“O termo grego pentekoste significa “quinquagésimo” e se refere ao quinquagésimo dia após o sábado da Páscoa (Lv 23:4-7, 15-16). O Pentecoste, que era celebrado no primeiro dia da semana (o nosso domingo), era uma das três grandes festas anuais de Israel, sendo a primeira a Páscoa (Lv 23:4-8; Nm 28:16-25), que ocorria antes de Pentecostes, e a terceira a Festa dos Tabernáculos (Lv 23: 33-43; Nm 29:12-38), que ocorria quatro meses depois. Pentecostes também era chamada de “Festa das Semanas” (Dt 16:10), porque era nessa ocasião que ocorria a colheita das safras; e também “dia das primícias” (Nm 28:26). A ligação entre o derramamento do Espírito Santo e a celebração de Pentecostes no dia das primícias se encaixa satisfatoriamente com o ensino de que a manifestação do Espírito no Novo Testamento é a “primícia” da colheita da salvação em Cristo (Rm 8:23)” [1].

Lindo texto no qual descreve como a Palavra de Deus foi entendida por todos os povos e línguas, através de uma experiência litúrgica e uma oratória clara por todos devido a descida do Espírito Santo que foi representado por “línguas de fogo” no versículo 3. “A expressão “línguas” é uma metáfora usada para explicar aquela situação na qual uma multidão de pessoas, de nações, culturas e línguas totalmente diferentes umas das outras, puderam ouvir a Palavra de Deus, em sua própria língua materna, por meio da pregação dos apóstolos. O “fogo” é um outro símbolo metafórico da presença divina (Êxodo 3:2), também frequentemente associado ao Juízo” (Mt 3:2: Lc 3:16 e Ts 5:19) [2].

No início o Pentecostes significava então agradecimento pela terra e pelos seus frutos e depois que foi ligado como referência a Deus, uma ligação com a Torá, os cinco primeiros livros bíblicos. Este é um significado relacionado ao agradecimento a Deus aos homens pelo presente divino dos ensinamentos de Deus (CARDOSO, 2011).

Outro ponto interessante é a relação de Atos 2:1-13 com Gênesis 11:1-9, porém ao contrário. Em Gênesis 11:1-9 relata a revolta de Deus com o povo e com isso as línguas são confundidas e não conseguem mais uma comunicação consistente para a construção da torre de Babel, enquanto em Atos 2:1-13 o texto já mostra uma unidade no sentido de entendimento da comunicação. Em Babel houve uma separação das pessoas devido a confusão de línguas ocasionada por Deus em consequência de uma construção idólatra. Em Pentecostes houve uma união, direcionado pelo Espírito Santo (VALÉRIO, 2001).

A seguir um quadro comparativo para entendermos melhor a comparação e identificarmos como a Bíblia explica a Bíblia e como ela é um livro único.

Gênesis 11: 1-9

Atos 2: 1-11

As pessoas falam a mesma língua e se estabelecem no mesmo lugar.

Homens e mulheres se reúnem no mesmo lugar e falam a mesma língua.

O desejo delas: construir uma cidade e uma torre para alcançar o céu.

O objetivo delas: buscar a Deus no céu por direção na terra.

Deus desce e decide confundir as línguas.

O Espírito de Deus desce e concede novas (unidade de entendimento) línguas.

As pessoas não conseguem mais se compreender: mistura de linguagens. A comunicação é quebrada.

Ouvintes do evento conseguem compreender em sua própria língua: harmonização na linguagem. A comunicação é restaurada.

Deus espalha as pessoas pela terra. Dessa forma cria a diversidade de línguas e culturas.

As pessoas ouvem as vozes vêm de diferentes nações, representando a totalidade do mundo habitado. O Evangelho fala na diversidade de línguas e culturas.

Fonte: Carneiro, p. 12, 2016.

Gostaria de finalizar dizendo como a comunicação é fundamental para a proclamação do Evangelho. Uma linguagem simples e objetiva para atender a todas as classes, culturas, faixas de idade, enfim, simplicidade na pregação no sentido que a mensagem deve ser entendida. O principal conflito entre as nações e povos é a comunicação entre as partes.

 

Referências:

CARDOSO, Eliene de Sousa Machado. Pentecostes Segundo Atos 2, 1-14. Revista Fragmentos de Cultura-Revista Interdisciplinar de Ciências Humanas, v. 21, n. 4, p. 653-665, 2011.

 

CARNEIRO, Marcelo da Silva. Babel e Pentecostes: entre a inversão e a renovação comunicativa. Estudos Bíblicos, v. 33, n. 132, p. 9-21, 2016.

VALÉRIO, Paulo Ferreira. Babel e Pentecostes (Gn 11, 1-9 e At 2, 1-13). Estudos Bíblicos, v. 19, n. 70, p. 73-82, 2001.



[1] Bíblia de Estudo de Genebra. 2. Ed. Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009.

[2] Bíblia de Estudo King James Atualizada (KJA); Tradução dos manuscritos nas línguas originais do Tanakh (Bíblia Hebraica) de acordo com o estilo clássico, majestoso e reverente da Bíblia King James de 1611. Tradução Sociedade Bíblica Ibero-Americana & Abba Press no Brasil. São Paulo, 2012.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

SERMÃO - O Vale de Ossos Secos - Pb Samuel Carvalho dos Santos

 


Leitura: Ezequiel 37:1-14

 

ABERTURA:

No livro UMA VIDA COM PROPÓSITO de Rick Warren[1] nos traz uma reflexão sobre a pergunta: QUAL O SENTIDO DA VIDA? Quem nunca pensou sobre isso? Quem nunca fez essa pergunta? Eu acho que depois que passei dos 40 comecei a pensar mais nessa pergunta. No livro REVISÃO DE VIDA de Ricardo Agreste[2] tem uma frase que diz o seguinte: “os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto; os trinta seguintes, o comentário”. A procura pelo propósito (sentido) da vida tem intrigado as pessoas por milhares de anos. Isso porque normalmente começamos pelo lado errado - nós mesmos. Nós fazemos perguntas voltadas para a nossa pessoa, como: "O que eu quero ser? O que eu deveria fazer com a minha vida? Quais são meus objetivos, minhas ambições e meus sonhos para o futuro?” Concentrarmo-nos em nós mesmos jamais desvendaremos o propósito de nossa vida. A Bíblia diz que a vida de todas as criaturas está nas mãos de Deus; é Ele quem mantém todas as pessoas com vida.  Você foi feito por Deus e para Deus. “Pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele”. Colossenses 1:16.  “A nossa alma/espírito e nosso corpo foram profundamente interligados por Deus na criação”, ouvi essa frase do Reverendo Augustus Nicodemos. Antes da queda não tínhamos a inclinação em andar por caminhos errados. Você se lembra quando a sua mãe te dizia para ter cuidado com as companhias? Ela sempre falava para você: “Onde você vai meu filho, minha filha? Em que caminho você está andando? Com quem você vai?” Sabe aquele provérbio popular: "Diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és”, então, é isso mesmo, e para fixar a importância de andarmos nos caminhos corretos e com as companhias corretas você sabia que nós somos a média das cinco pessoas que mais convivemos? Quem são as cinco pessoas mais presentes na sua vida hoje? Quais são as características destas pessoas e quais são os caminhos que elas andam? Pois pode ter certeza que as suas características e os seus caminhos tem relação com estas pessoas. No texto que acabamos de ler fala de um povo que se desvio dos caminhos de Deus, não andava mais com Deus, não andava mais com o povo de Deus e como eu disse logo no início o distanciamento dos caminhos de Deus nos faz perdemos o vínculo com o nosso Criador, pois a nossa alma/espírito e nosso corpo foram profundamente interligados por Deus na criação. Você foi feito por Deus e para Deus e sem essa referência, sem essa comunhão, sem esse vínculo perdemos o sentido da vida, ficamos perdidos, ou seja, a nossa vida é comparada aos OSSOS SECOS: uma vida frustrada, desanimada, angustiada, deprimida, enfim, sem esperança como descrito no versículo 11: “os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados”.

TEMA: TRAZENDO DE VOLTA A VIDA

Ezequiel era um sacerdote que estava morando em Jerusalém. Quando aconteceu o primeiro ataque babilônico eles pouparam a cidade, mas capturaram um grupo de prisioneiros israelitas e os levaram para o exílio e Ezequiel estava entre eles. Ezequiel está sentado na margem de um canal de irrigação perto de seu campo de refugiados israelitas e ao seu aniversário de 30 anos, justamente o ano em que ele teria se tornado o sacerdote em Jerusalém, Ezequiel tem a visão de uma nuvem de tempestade se aproximando e dentro da nuvem estão quatro criaturas estranhas que tem asas estendidas se tocando e cada uma dessas criaturas tinha quatro faces e ele viu quatro rodas uma perto de cada criatura então ele viu que as asas das criaturas estavam segurando essa plataforma deslumbrante. Na plataforma existe um Trono e sentado naquele trono está uma criatura humana brilhante envolto em fogo então de repente Ezequiel percebe o que está vendo e ele chama de a semelhança da Glória do Senhor. Ali está Deus na sua Carruagem Real a palavra Glória em hebraico é Kavod e significa pesado ou significativo os autores bíblicos usam essa palavra para descrever a aparência física e a manifestação do significado de Deus quando ele aparece pessoalmente. Essas imagens na visão são muito semelhantes o que aconteceu quando Deus apareceu no Monte Sinai no livro de Êxodo e também é muito semelhante as representações da presença de Deus sobre a arca da aliança e isso é a coisa que mais choca sobre a visão de Ezequiel o que a glória de Deus está fazendo na Babilônia supostamente deveria estar acima da Arca da Aliança no templo de Jerusalém. Ezequiel acusa Israel por ter quebrado o acordo da aliança com Deus de duas maneiras: Israel tornou-se fiel a outros deuses e tem adorado ídolos e isso tudo levou uma injustiça social e violência desenfreada. Como resultado Deus comissiona Ezequiel para acusar Israel de romper a aliança e avisá-los da sua destruição iminente. Ezequiel 1-3. Israel chegou a tamanha perdição que Ezequiel chega a dizer sobre a destruição merecida de Jerusalém devido os séculos de violação da aliança e cita que as pessoas mais justas do mundo como Noé ou Daniel se estivessem vivas e orassem para que Deus poupasse Israel, Deus não aceitaria as suas orações, pois é tarde demais.[3]

Chegamos no texto base que acabamos de ler. “Deus confirmou suas palavras ao dar a Ezequiel a famosa visão dos ossos secos. A visão descrevia dois estágios da ressurreição. Primeiro, os ossos secos recebiam carne sobre eles. Depois, eles ganhavam vida! Os ossos secos simbolizavam a morte da esperança do povo, que estava seco, sem esperanças e sem poder! Mas o Espírito de Deus sopraria vida para dentro deles novamente”[4].

O texto é dividido em duas partes:

Ezequiel 37:1-10 => Profecia do Vale de ossos secos

Ezequiel 37:11-14 => O significado desta visão profética

Segundo os comentários da Bíblia de Estudo Genebra, uma informação importante é que este texto não fala sobre o fim dos tempos e a ressurreição dos mortos. O contexto é outro, o Velho Testamento fala pouco sobre ressurreição pessoal ou geral: “Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias da minha luta esperaria, até que eu fosse substituído” (Jó 14:14); “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus” (Jó 19:25,26). As imagens de Ezequiel claramente pertenciam à situação dos exilados e suas esperanças de restauração.

Os ossos secos eram toda a nação de Israel. “Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados” (Ezequiel 37:11).

APLICAÇÃO:

O vale cheio de ossos e esqueletos humanos é uma imagem, uma metáfora do estado espiritual de Israel. Assim a sua rebelião contra Deus resultou no exibir na morte literal de muitas pessoas, mas também foi uma morte metafórica do seu relacionamento com aliança.

“Veio sobre mim a mão do Senhor; ele me levou pelo Espírito do Senhor e me deixou no meio de um vale que estava cheio de ossos, e me fez andar ao redor deles; eram mui numerosos na superfície do vale e estavam sequíssimos. Então, me perguntou: Filho do homem, acaso, poderão reviver estes ossos? Respondi: Senhor Deus, tu o sabes. Disse-me ele: Profetiza a estes ossos e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor” (Ezequiel 37:1- 4).

Quando estamos afastados de Deus apenas existimos, não vivemos, a vida não tem sentido. OSSOS SECOS! Sabe aquela vida sem sentido, sabe aquele vazio que você sente, mesmo tendo tudo que você possa imaginar com relação aos bens materiais, a saúde, a realização profissional, realização pessoal, enfim, uma vida que parece completa aos olhos humanos? Então, uma vida seca, uma vida vazia espiritualmente.

No final do verso quatro está escrito: “Ossos secos, ouvi a palavra do Senhor”. Na oração você fala com Deus, na Bíblia Deus fala com você, então “ouvi a palavra do Senhor”. Quando estamos em dificuldade, devemos nos voltar para a Palavra do Senhor. Deus cria através da Palavra: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Gênesis 1:3); cura através da Palavra: “Enviou-lhes a sua palavra, e os sarou, e os livrou do que lhes era mortal” (Salmos 107:20). Se você for às Escrituras, encontrará recursos para resistir e triunfar.

O salmista escreveu: “A minha alma, de tristeza, verte lágrimas; fortalece-me segundo a tua palavra” (Salmos 119:28).

O pecado destrói a vida. O profeta Ezequiel, nessa visão, queria que o povo de Israel entendesse que sem Deus eles estariam na sepultura porque falharam em reconhecer que eles eram um povo que Deus havia dado a eles VIDA!

“Assim diz o Senhor Deus a estes ossos: Eis que farei entrar o espírito em vós, e vivereis. Porei tendões sobre vós, farei crescer carne sobre vós, sobre vós estenderei pele e porei em vós o espírito, e vivereis. E sabereis que eu sou o Senhor. Então, profetizei segundo me fora ordenado; enquanto eu profetizava, houve um ruído, um barulho de ossos que batiam contra ossos e se ajuntavam, cada osso ao seu osso. Olhei, e eis que havia tendões sobre eles, e cresceram as carnes, e se estendeu a pele sobre eles; mas não havia neles o espírito. Então, ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize-lhe: Assim diz o Senhor Deus: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. Profetizei como ele me ordenara, e o espírito entrou neles, e viveram e se puseram em pé, um exército sobremodo numeroso” (Ezequiel 37:5-10).

Como é interessante a riqueza de detalhes nessa parte, quando prestamos atenção na sequência da ordem como tendões, carne, pele, espírito, houve um ruído, um barulho simbolizando a importância de todas essas junções e por fim vento dos quantos cantos, ou seja, e um sopro de vida e vida em abundância. Novamente encontramos aqui uma referência a criação: “Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente” (Gênesis 2:7).

Podemos tirar daqui também uma importante lição sobre a comunhão. A importância da junção de cada parte para assim termos vida. Se existe comunhão, existe vida, a comunhão é importante para a nossa restauração e fortalecimento na fé.

CONCLUSÃO:

Por fim, Deus dá vida a ossos secos! Ele tem uma promessa de restauração para você: “Então, me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; estamos de todo exterminados. Portanto, profetiza e dize-lhes: Assim diz o Senhor Deus: Eis que abrirei a vossa sepultura, e vos farei sair dela, ó povo meu, e vos trarei à terra de Israel. Sabereis que eu sou o Senhor, quando eu abrir a vossa sepultura e vos fizer sair dela, ó povo meu. Porei em vós o meu Espírito, e vivereis, e vos estabelecerei na vossa própria terra. Então, sabereis que eu, o Senhor, disse isto e o fiz, diz o Senhor” (Ezequiel 37:11-14).

Que possamos investir mais o nosso tempo no cuidado consistente da nossa fé. Que possamos acordar toda manhã e permanecer um pouquinho em silêncio, exercermos a nossa devoção a Deus lendo as escrituras e, em seguida, orando e perguntando: Senhor, o que queres que eu faça? Que possamos acordar aos domingos e caminhar em direção a uma comunidade cristã, a nossa igreja, lotada de pessoas imperfeitas e não na perspectiva de ser acolhido e servido, mas na perspectiva de acolher e servir. [5]

Irmãos, Deus nos criou diferente de tudo, nós não nascemos prontos como coisas, como um fogão ou uma televisão que envelhecem com o tempo, nós melhoramos com o tempo, a nossa existência vai além de um mero período entre nascer e morrer, a salvação por Cristo Jesus não é o fim da nossa jornada, mas o início de um processo de santificação que vai além deste mundo terreno, é eterno, é infinito e que Deus nos abençoe, nos TRAZENDO DE VOLTA A VIDA, pois somente o poder de Deus pode transformar OSSOS SECOS em vida, somente Deus pode preencher todo este vazio existencial e toda essa nossa busca insaciável. EU E VOCÊ FOMOS FEITOS POR DEUS E PARA DEUS. QUE DEUS NOS ABENÇOE.

Pb. Samuel Carvalho dos Santos



[1] WARREN, Rick. Uma vida com propósitos. São Paulo: Ed. Vida. São Paulo, 2003.

[2] SILVA, Ricardo Agreste. Revisão de Vida: para viver e não se arrepender. São Paulo. SOCEP Editora, 2008.

[3] https://bibleproject.com/

[4] ARNOLD, Bill T.; BEYER, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. São Paulo. Cultura Cristã, p. 421, 2001.

[5] SILVA, Ricardo Agreste. Revisão de Vida: para viver e não se arrepender. São Paulo. SOCEP Editora, 2008.

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